Após
toda a discussão gerada pelo estupro coletivo de uma estudante indiana, Jyoti
Singh Padey,
quandoestava em um ônibus no fim do ano passado, um grupo de universitários
também indianos desenvolveram um protótipo de sutiã que dá choques, com o
objetivo de ajudar as mulheres contra ataques que elas possam vir a sofrer. Tal
peça de roupa pode dar choques de 3.800 kV caso alguém tente apertar ou
beliscar os seios de quem a usa. Os sensores que detectam agressões são
posicionados em torno do busto.
Com
esse caso horrível da jovem Jyoti e outros relatos de outras mulheres, os
estudantes de engenharia aeronáutica Manisha Mohan, Niladhri Basu Bal e Rimpi
Tripathi, da Universidade SRM, cidade de Chennai, resolveram criar o sutiã.
Eles descobriram que a região dos seios é comumente a que é atacada primeiro em
casos de agressões.
O
protótipo recebeu o nome de SHE (Society Harnessing Equipment – Equipamento de
Controle da Sociedade). A sigla formada também quer dizer “ela”, em inglês.
Ele
até recebeu um prêmio, o de projetos de jovens inovadores (Gandhian Young Technological Innovation Award) da Sociedade para
Pesquisas e Iniciativas para Tecnologias e Instituições Sustentáveis, da cidade
Ahmedabad.
Além
de dar choque, o sutiã também pode mandar uma mensagem de texto para algum
amigo ou parente da mulher e para a polícia, contendo a localização da vítima
(obtida por GPS).
O
sutiã tem tecido com camada dupla, que serve de isolamento elétrico, para que a
mulher que o usa não seja atingida pelo choque, sendo que também é possível
calibrar o sensor para a pressão do aperto que dispara o choque, para que ele
não seja dado em situações que não as de perigo. Por exemplo, um abraço não
causaria um choque. Também há um dispositivo para que a mulher dispare o choque
caso se sinta insegura.
O
que os estudantes querem agora é tornar o sutiã prático e comercialmente
viável, com a diminuição de componentes, que ainda são grandes, além da
implantação de bluetooth, para conectar o sutiã a smartphones.
Com
tudo isso, eles desejam que as mulheres possam andar pelas ruas com confiança,
em todas as partes do mundo.
Tudo
bem existir algo assim. Mas não está tudo bem ter que existir algo assim. Ou
seja, a criação de um objeto como esses é até válida, já que pode trazer
benefícios para pessoas que podem não ter muitas outras formas de defesa. Mas
chegar a esse ponto de ter tanta violência que um objeto assim precisa ser
criado? Pareceria até absurdo se não estivéssemos acostumados a ouvir coisas
absurdas a cada dia que passa, já que com tantos absurdos em nosso mundo o
absurdo acaba nem parecendo mais tão absurdo. Absurdo?